Morrer: verbo. Diz-se de um som que pouco se vai esvaecendo até extinguir-se de todo.

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Morrer: verbo. Diz-se de um som que pouco se vai esvaecendo até extinguir-se de todo.

Contar às Abelhas

"Houve um tempo em que se contava
e contar era a forma mais bela de se estar
e de honrar a ancestralidade
Houve um tempo em que os animais falavam
Houve um tempo em que a morte e a vida estavam misturadas
e que os outonos eram bem-vindos
Houve um tempo em que a mudança fazia parte
e de transformação em transformação
a vida e a morte se cumpriam
Houve um tempo em que o tempo era outro"

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“Contar às abelhas” foi pensado para ser um solo, mas cedo percebemos que a composição dramatúrgica pedia contracena. Por isso, a actriz e música Poliana Tuchia (BR) integrou o elenco do espectáculo, além de assinar o espaço sonoro.
A riqueza cultural que aportam duas artistas de sotaques e culturas diferentes, tornou o processo de criação do “Contar às abelhas” um exercício estimulante em referências e cruzamentos.

A criação “Contar às abelhas” segue a linha de pesquisa da Algures, onde a narração tem um papel estruturante, capaz de eliminar as barreiras formais entre audiência e artistas. A acção cénica baseia-se na eliminação da quarta parede estabelecendo uma relação horizontal e democrática com o público, ao mesmo tempo que põe em prática o conceito de distanciamento brechtiano.
A relação entre a narração e a música é antiga, como é conhecida no romanceiro tradicional, embora aqui não se tenha pretendido que a música sirva apenas de suporte ilustrativo, mas antes crie um diálogo com a narração, permitindo a construção de dois discursos paralelos.

O espectáculo parte de uma lenda celta que diz que é importante contar às abelhas as mortes e os acontecimentos marcantes da família e quando as abelhas não são informadas, alguma desgraça ocorrerá. Foi esta lenda que serviu de mote à criação do espectáculo que é, na verdade, uma alegoria da morte. Aqui é também importante elevar a figura da morte na literatura popular portuguesa, como justiceira. Ela leva todos: o pobre, o rico e o remediado.

O espectáculo é composto por textos de João Cabral de Melo Neto, Jeanne Willis, Mia Couto, Alphonsus de Guimarães e Marina Colasanti, além dos contos da tradição oral portuguesa.
Uma das alegrias do espectáculo foi conseguir concretizar um objectivo que era a ressignificação da tradição, exemplo disso é a composição musical de inspiração brasileira (coco) com a letra de um poema popular recolhido em Montemor-o-Novo.

A escolha de um espaço sonoro percussivo dá-se por causa das suas qualidades sonoras e características reverberantes dos tambores. Trata-se do mais antigo instrumento criado pela humanidade. Esta escolha estética sustenta também a escolha dos materiais: barro, madeira, ferro, sementes e couro. A escolha das diferentes geografias dos objectos sonoros (África, Tibet, Brasil, Portugal e Norte Europeu), bem como a origem do seu uso (cerimónias profanas, rituais religiosos e pastoreio de animais). Estas referências expõem a matriz ancestral com a qual esta criação constrói uma ligação profunda e fundamental. O espaço sonoro é composto para operar ao nível do significado das histórias contadas. Explora durações, intensidades, particularidades de timbres, produzindo uma experiência no campo sensível e de escuta musical activa no espectador.

A integração da aliança entre a cultura erudita e a popular, tão presente nas criações da Algures, foi integrada ao nível narrativo, sonoro e plástico. Os objectos e alguns instrumentos foram desenhados pelo artista Nuno Borda de Água, criador regular da Algures (assinou também o espaço cénico e desenho de luz) e foram moldados por um dos últimos oleiros da região de Montemor-o-Novo.

Ficha Artística

Interpretação e dramaturgia: Poliana Tuchia e Susana Cecílio
Espaço Sonoro: Poliana Tuchi
Espaço Cénico e Desenho de Luz: Nuno Borda de Água
Olaria de brotas: José Carlos
Design: Susana Malhão
Produção: Algures

Condições de Produção